Granéis líquidos vão exigir mais de R$ 130 bilhões em infraestrutura até 2037, aponta estudo da Leggio
Levantamento da Leggio Consultoria, especializada em infraestrutura logística, aponta que o mercado de granéis líquidos vai exigir mais de R$ 130 bilhões em investimentos em infraestrutura até 2037. Os dados foram apresentados na edição 2026 da feira ROG-e e divulgados em reportagem da jornalista Carmen Nery, da Portos e Navios.
Mais de R$ 130 bilhões em melhorias e novos projetos
Segundo o estudo, os aportes incluem melhorias e projetos greenfield associados a acessos hidroviários e terrestres, redes de dutos e terminais, de norte a sul do país. A distribuição estimada dos investimentos é a seguinte:
Ferrovias: até R$ 6,5 bilhões
Hidrovias: R$ 985 milhões
Terminais portuários: R$ 2,2 bilhões
Malha dutoviária: R$ 430 milhões
Carteira multissetorial: R$ 121 bilhões
Ganhos logísticos estimados em R$ 1,36 bilhão ao ano
A Leggio avalia o mercado de líquidos e a necessidade de investimentos desde 2018. No levantamento, foram estimados ganhos logísticos de R$ 1,36 bilhão ao ano, mediante investimentos da ordem de R$ 9,1 bilhões a R$ 124 bilhões em infraestrutura para movimentação de combustíveis, eliminação de gargalos operacionais, garantia do suprimento ótimo e redução de custos logísticos.
Combustíveis são a maior carga da cabotagem e a cadeia tem dinâmica própria
Para Camila Affonso, sócia da Leggio Consultoria, o setor de combustíveis tem características específicas dentro do ambiente de segurança energética do país. "Os combustíveis ainda são a maior carga da cabotagem e um segmento bastante concentrado na capacidade de refino da Petrobras. A infraestrutura de distribuição vai desde os pontos de oferta até as bases primárias e terminais, sempre movimentando muitos volumes por rodovias, dutovias, ferrovias e depois a distribuição via cabotagem. Trata-se de um setor com dinâmica própria que se insere dentro do ambiente de segurança energética do país, com uma exposição muito grande à variação das commodities no mundo", analisou.
No campo regulatório, o segmento tem uma matriz de responsabilidade mais complexa: está sujeito ao ordenamento de agências reguladoras de infraestrutura, como a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) e a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), com a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) monitorando as atividades de perto.
Importação de combustíveis e mistura de biocombustíveis pressionam a infraestrutura
Camila também destacou que a necessidade de importar combustíveis não desaparece com o aumento da produção e da mistura de biocombustíveis, cuja curva de adição tem crescido tanto no biodiesel adicionado ao diesel quanto no etanol adicionado à gasolina. "Essa necessidade de aumento pressiona a infraestrutura e há uma demanda por transporte em regiões que não estavam preparadas para isso. Vale citar tanto a entrada em operação de novas capacidades de produção como a Refinaria Abreu e Lima (RNEST) quanto outras que voltaram a ser discutidas. Há novos investimentos em portos como Paranaguá (PR), o que pode promover um reequilíbrio da utilização da infraestrutura", destacou a consultora.
Leia a reportagem completa na Portos e Navios: https://www.portosenavios.com.br/noticias/portos-e-logistica/graneis-liquidos-demandarao-mais-de-r-130-bilhoes-para-infraestrutura-ate-2037




Comentários