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Guerras, sanções e gargalos logísticos pressionam os preços dos combustíveis na bacia do Atlântico

há 2 dias
3 min de leitura

Atualizado: há 7 horas

Com o prolongamento da guerra no Oriente Médio, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem buscado formas de conter a inflação e a insatisfação dos consumidores às vésperas das eleições de meio de mandato, em um cenário de pressão sobre os preços dos combustíveis. Entre as medidas discutidas estão o alívio de sanções relacionadas à Rússia e ao Irã.


Em entrevista à jornalista Débora Oliveira, da CNN Brasil Money, Marcus D'Elia, sócio da Leggio Consultoria, analisou os fatores que mantêm os preços de gasolina e diesel pressionados nos Estados Unidos, na Europa e na América do Sul. Segundo ele, o cenário combina os efeitos de dois conflitos (Oriente Médio e Ucrânia), os ataques às refinarias russas e a limitação da oferta de navios para o transporte de petróleo.





Ataques a refinarias russas e sanções elevaram os preços dos derivados

D'Elia explica que, além da guerra no Golfo e da guerra na Ucrânia, o cenário se complicou com os ataques ucranianos ao parque de refino russo. Segundo ele, a combinação de fatores pressionou os preços na bacia do Atlântico, que engloba América do Norte, América do Sul e Europa:


  • Os ataques às refinarias russas reduziram a oferta global de derivados

  • As sanções americanas à Rússia limitaram a movimentação e a venda de derivados de outros países para a Europa

  • A Europa passou a depender mais do refino local para atender à demanda por combustíveis


Para D'Elia, o objetivo das sanções retiradas pelos Estados Unidos é atacar o problema imediato: a alta dos preços de diesel e gasolina.



Alívio das sanções só reduz o preço se a Europa acompanhar

Na avaliação de D'Elia, aliviar as sanções sobre o petróleo, o óleo combustível e o diesel russos é uma saída possível, mas exige alinhamento com a União Europeia, onde está o consumo adicional de diesel e gasolina. Segundo ele, a Europa não vem suspendendo essas sanções, e países como Índia e Turquia, que forneciam combustíveis ao continente antes da guerra, continuam limitados por essas restrições. "Se a Europa também não fizer isso, essas sanções não atingem o objetivo de reduzir esse preço final aí do combustível", afirmou.



Rotas alternativas aliviam o custo, mas não normalizam a operação

D'Elia descreve uma operação logística criada para movimentar petróleo na região do Golfo Pérsico. Nesse modelo, os navios que recebem o petróleo ficam no Golfo de Omã, do lado de fora do Golfo Pérsico, enquanto embarcações petroleiras do tipo shuttle fazem o trajeto curto entre o porto e essa área. As embarcações que atravessam a zona de guerra enfrentam fretes mais caros, por conta do seguro e do risco, enquanto os petroleiros que recebem o petróleo no Golfo de Omã ficam menos expostos a esse custo.


Outra alternativa é a movimentação da Arábia Saudita pelo duto que chega ao Mar Vermelho, passando pelo Canal de Suez e evitando o Bab al-Mandeb, ao sul do Mar Vermelho. Segundo D'Elia, essas estratégias reduzem parte dos custos adicionais com seguros, mas têm efeito limitado e não normalizam o transporte marítimo. O sobrepreço continua afetando o petróleo e, por consequência, o preço final dos derivados.



A escassez de navios já existe e não tem solução de curto prazo

Questionado sobre a disponibilidade de embarcações, D'Elia afirma que o problema já existe hoje e que o uso da chamada frota fantasma é justamente uma resposta ao número limitado de navios para o transporte. A frota de petroleiros não pode ser ampliada rapidamente para compensar o tempo adicional das viagens.


Para ele, o caminho passa por regularizar a saída do Golfo Pérsico e do Mar Vermelho, o que equilibraria a quantidade de embarcações com o tempo de movimentação do produto. O obstáculo, segundo D'Elia, é que não há como acabar com esses conflitos hoje.



Assista à entrevista completa de Marcus D'Elia à CNN Brasil Money: https://youtu.be/zibu6-hR6wY?si=f4hVKgjHCNZmIhGP



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