Petróleo venezuelano: acordo entre EUA e Venezuela busca reduzir custos e ampliar competitividade
Em análise sobre o acordo entre Estados Unidos e Venezuela para a exploração de petróleo venezuelano, Marcus D'Elia, sócio da Leggio Consultoria — especializada em O&G e renováveis —, avalia como os investimentos em produção e infraestrutura logística podem aumentar a eficiência da cadeia e tornar o petróleo venezuelano mais competitivo no mercado americano.

O objetivo do acordo entre Estados Unidos e Venezuela para exploração de petróleo venezuelano é tornar a produção e transporte do produto dentro do país mais eficiente, de modo a garantir margem e permitir concorrer com o petróleo canadense no Golfo do México. O petróleo venezuelano já está substituindo o mexicano na região e, com a melhoria da eficiência da produção nos campos e do transporte na rede logística do país sul-americano, o custo do produto poderá cair, tornando-se mais competitivo que o petróleo do Canadá para fornecimento às refinarias no Golfo do México.
"Um dos pontos a se destacar no acordo é que as reservas de 65 bilhões de barris, que representam 1,3 vezes as reservas atuais dos EUA, são provadas. A comprovação de comercialidade é relevante, pois garante que este petróleo de fato será produzido a um custo e volume viáveis. Se o volume de produção diário for de 2 milhões de barris, serão necessários aproximadamente 90 anos para consumir toda a reserva", explica D'Elia.
O regime jurídico da Venezuela que sustentará o acordo anunciado pelo governo americano é definido pela Lei Orgânica de Hidrocarburos, modificada em janeiro de 2026. No modelo a ser implementado, a empresa privada será responsável pela produção e exportação do petróleo, sem participação societária do governo venezuelano. Essa empresa, a North American Blue Energy Partners, realizará os investimentos estimados em US$ 100 bilhões e intermediará a venda do produto ao governo americano.
"Uma dúvida ainda é sobre o montante de 100 bilhões de dólares em investimentos, que está acima da expectativa dos investimentos para atingir o volume de produção de 2 milhões de barris por dia. Para o perfil dos campos abrangidos na Bacia do Orinoco e Maracaibo, este número estaria entre US$ 30 bilhões e US$ 50 bilhões. Ainda não há informações precisas sobre a totalidade dos investimentos que fazem parte do acordo", completa D'Elia.




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