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Combustíveis podem cair até 10% com mudanças da Petrobras

Marcus D´Elia, da Leggio Consultoria, analisa impacto da nova política de precificação na concorrência de mercado, transparência e capacidade da estatal de absorver variações no preço do petróleo

Crédito da Foto: IADE Michoko


Com a recente mudança anunciada pela Petrobras em sua política de preços, a Leggio Consultoria, especializada em Petróleo, Gás e Energia Renovável, realizou uma análise técnica sobre os efeitos da medida para o consumidor final e o mercado de refino e distribuição de combustíveis. De acordo com cálculos, o novo modelo de precificação deverá propiciar uma queda de preços limitada tanto no diesel como na gasolina, de até 10%.


“As margens de refino no país estão entre 3% e 10%, o que restringe a capacidade da estatal de absorver as oscilações do preço do petróleo através de descontos em relação ao preço de paridade de importação (PPI). Além disso, as reduções não serão repassadas integralmente ao consumidor, já que o país importa parte do combustível consumido internamente. Portanto, o preço da gasolina e do diesel na bomba será uma média ponderada entre o custo da Petrobras e o do produto importado”, explica Marcus D´Elia, sócio da Leggio.

Limitação de importação


Uma das consequências de a empresa praticar valores descolados do PPI é que os importadores se limitarão a trazer o volume que supre a diferença entre a demanda interna e a oferta da estatal a cada mês. Desta forma, a competição será menor dentro do segmento de refino no país e torna-se responsabilidade da estatal o suprimento de eventuais variações não previstas na demanda nacional. Para o especialista, mesmo com o esforço realizado no último ano pela Petrobras para aumentar a produção nacional, o gap entre demanda e oferta de diesel é estrutural e a dependência da importação continuará.


Preços por cliente


Marcus D´Elia considera um ponto crítico a estratégia de cobrar preços diferentes de acordo com o perfil de cada cliente, mencionada pelo presidente da estatal. Os contratos da Petrobras, por princípio, garantem isonomia de preços para as distribuidoras no mesmo ponto de venda. “Vender combustíveis a preços diferentes em um mesmo local, variando o valor de acordo com o volume, por exemplo, pode gerar concentração de mercado ao inviabilizar a operação de distribuidoras regionais”, diz o sócio da Leggio.


Transparência


Segundo o especialista, as mudanças na política de preços não afetam a transparência na precificação, pois este acompanhamento continuará sendo realizado pelo mercado como já acontece hoje. “O PPI, que continua sendo uma referência para a estatal, é calculado pelas consultorias e publicado por associações como a Abicom. A partir daí, é possível seguir acompanhando normalmente a defasagem de valor por polo em relação à Petrobras. Nada muda em relação à política anterior, uma vez que a empresa não praticava o PPI ‘puro’ nos diferentes polos de venda e sua fórmula para cálculo do preço ajustado por polo nunca foi divulgada”, detalha Marcus D´Elia.

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